Visto do alto, num voo de helicóptero, mal dá para notar o muro que separa dois mundos tão diferentes: uma favela e um condomínio de classe média em Vargem Pequena. As 40 casas do condomínio Coqueiro têm boa estrutura, a maioria com três quartos, e muitas com piscina. Já os cerca de 30 barracos da comunidade Luz Divina sequer contam com rede formal de energia elétrica. Eles não têm tubulação de esgoto nem de água. Além da milimétrica proximidade, alguns problemas unem esses vizinhos. Ambos os lados precisam regularizar suas casas e reclamam do poder público.
O condomínio, que fica no final da Rua Jornalista Luiz Eduardo Lobo, está em processo de regularização no Registro Geral de Imóveis (RGI). E os moradores da comunidade reclamam das constantes ameaças de despejo. Além disso, o muro não separa sons e cheiros, nem livra a comunidade e o condomínio de uma convivência, considerada de parte a parte como nada harmoniosa: retrato da ocupação desordenada da cidade, conforme mostrou a coluna Eco Verde, de Agostinho Vieira, no último dia 11.
- Ninguém quer ser vizinho de uma favela, mas eles estão lá antes da gente e têm os seus direitos. Se já não se fazem mais remoções, pelo menos a urbanização da comunidade, que vive em péssimas condições, teria que ser garantida. Por outro, nossas casas não têm escritura. Sofremos desvalorização duas vezes: por estarmos do lado da comunidade e pela situação legal do condomínio - disse Alberto Júnior, há dois anos no condomínio.
A casa do síndico do condomínio, Alessandro Alves, é colada à favela:
- Essa comunidade tem um impacto negativo em todos aspectos. Existem barracos que são palafitas, há problema com lixo, assoreamento do córrego, agravando enchentes.
Praticamente todos os moradores da favela Luz Divina são da mesma família. A comunidade foi crescendo na proporção direta dos casamentos e dos filhos. A lenha ainda é um combustível utilizado para preparar os alimentos. A madeira também substitui a alvenaria em muitos barracos.
- Temos medo de perder a casa, de vez em quando sofremos ameaças. Já fizeram até abaixo-assinado para nos tirar, construiram um muro para que não façamos mais casas. Mas chegamos aqui primeiro, somos parte de uma mesma família, que vai crescendo. No início eram quatro barracos, agora são 33 - contou Valdinea Gomes da Silva, de 50 anos, que diz morar na comunidade desde que tinha oito anos.
Cláudio Conceição, de 22 anos, reclama da prefeitura, que, não legaliza nem urbaniza a comunidade:
- A lei ajuda apenas os mais fortes. Há pessoas influentes que moram no condomínio.
Para Tiago Mohamed, subprefeito da Barra e Jacarepaguá, a região das Vargens historicamente tem problemas de ocupação. Ele diz que denúncias podem ser feitas pelos telefones 1746 ou 2431-1771:
- As comunidades são muitas. Não temos como estar em todas ao mesmo tempo.
A Secretaria municipal de Urbanismo diz que não concede licença para construções que não atendam à legislação urbanística e que vem embargando e fiscalizando as construções irregulares. Já a de Meio Ambiente disse já ter notificado a comunidade e emitido dois autos de infração em obras sem licença na rua. A Secretaria de Ordem Pública, por sua vez, explicou que só atua por determinação de outros órgãos.
O condomínio, que fica no final da Rua Jornalista Luiz Eduardo Lobo, está em processo de regularização no Registro Geral de Imóveis (RGI). E os moradores da comunidade reclamam das constantes ameaças de despejo. Além disso, o muro não separa sons e cheiros, nem livra a comunidade e o condomínio de uma convivência, considerada de parte a parte como nada harmoniosa: retrato da ocupação desordenada da cidade, conforme mostrou a coluna Eco Verde, de Agostinho Vieira, no último dia 11.
- Ninguém quer ser vizinho de uma favela, mas eles estão lá antes da gente e têm os seus direitos. Se já não se fazem mais remoções, pelo menos a urbanização da comunidade, que vive em péssimas condições, teria que ser garantida. Por outro, nossas casas não têm escritura. Sofremos desvalorização duas vezes: por estarmos do lado da comunidade e pela situação legal do condomínio - disse Alberto Júnior, há dois anos no condomínio.
A casa do síndico do condomínio, Alessandro Alves, é colada à favela:
- Essa comunidade tem um impacto negativo em todos aspectos. Existem barracos que são palafitas, há problema com lixo, assoreamento do córrego, agravando enchentes. Praticamente todos os moradores da favela Luz Divina são da mesma família. A comunidade foi crescendo na proporção direta dos casamentos e dos filhos. A lenha ainda é um combustível utilizado para preparar os alimentos. A madeira também substitui a alvenaria em muitos barracos.
- Temos medo de perder a casa, de vez em quando sofremos ameaças. Já fizeram até abaixo-assinado para nos tirar, construiram um muro para que não façamos mais casas. Mas chegamos aqui primeiro, somos parte de uma mesma família, que vai crescendo. No início eram quatro barracos, agora são 33 - contou Valdinea Gomes da Silva, de 50 anos, que diz morar na comunidade desde que tinha oito anos.
Cláudio Conceição, de 22 anos, reclama da prefeitura, que, não legaliza nem urbaniza a comunidade:
- A lei ajuda apenas os mais fortes. Há pessoas influentes que moram no condomínio.
Para Tiago Mohamed, subprefeito da Barra e Jacarepaguá, a região das Vargens historicamente tem problemas de ocupação. Ele diz que denúncias podem ser feitas pelos telefones 1746 ou 2431-1771:
- As comunidades são muitas. Não temos como estar em todas ao mesmo tempo.
A Secretaria municipal de Urbanismo diz que não concede licença para construções que não atendam à legislação urbanística e que vem embargando e fiscalizando as construções irregulares. Já a de Meio Ambiente disse já ter notificado a comunidade e emitido dois autos de infração em obras sem licença na rua. A Secretaria de Ordem Pública, por sua vez, explicou que só atua por determinação de outros órgãos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário